domingo, 9 de dezembro de 2012

Artigo




                                 
A ESCOLA COMO MEDIADORA DA INCLUSÃO DIGITAL
    
Rosaline Araújo de Morais[1]
Márcia da silva Carvalho1
Rafael Zortéa de Oliveira1
Clodoaldo Anjos de Souza1
 Gilnei Antônio Rodrigues¹
Fábio Bombarda[2]

                                  UNEMAT, Vila Rica, MT.
RESUMO
O aumento da informatização na sociedade atual esta cada vez maior e por isso é necessário que se busque uma maneira de inclusão digital de todos os cidadãos nesse novo modo de vida, para que possa assim participar continuamente em meio a uma sociedade que está se exigindo que se tenha além de um conhecimento intelectual um saber tecnológico. E o presente artigo tem como principal objetivo mostrar que a escola que é uma precursora do saber pode funcionar sim como uma mediadora entre o aluno e a era tecnológica, evitando-se assim que ocorra que o aluno conclua a escolaridade básica e continue sendo um “analfabeto digital”, e consequentemente um excluído socialmente. Para a realização deste trabalho foram utilizados diversos artigos que abordavam sobre o tema “inclusão digital”. Considera-se que se a escola buscar por meios, relacionado à tecnologia, que atenda todos os níveis socioeconômicos de forma igual, ela pode desenvolver sua função de mediadora da inclusão digital com êxito.

Palavras chave: inclusão digital, desigualdade social, escola e tecnologia.

1-INTRODUÇÃO

Sabe-se que nos dias atuais com apenas um clique se tem informações do mundo inteiro, fato regido pela modernização e a grande evolução tecnológica. Aquilo que é novidade hoje como tecnologia, amanha se torna algo ultrapassado e simplesmente, mas um meio eletrônico entre outros tantos.
Em meio a tanta modernidade é preciso incluir pessoas que ainda não tem o conhecimento e nenhuma dominação da maquina computacional, fato causado principalmente pelas precárias condições socioeconômicas, as quais estão sujeitas, indicando assim que ajustá-los a esse novo contexto de sociedade tecnológica nada mais é que uma questão social.


Compreende-se que a inclusão digital pode ser entendida como a democratização das tecnologias para todos, ou seja, é adentrar ao meio digital as pessoas que ainda estão desprovidas do conhecimento tecnológico, mas antes de tudo é necessário saber que não se trata somente de se ter o acesso à tecnologia para a promoção da inclusão de todos, mas sim o modo como ela atenderá as necessidades sociais, de maneira que contribua para o desenvolvimento continuo dos cidadãos, é uma forma de gerar igualdade de oportunidades nessa sociedade da informação, diminuindo assim o nível da chamada exclusão digital (XAVIER, 2005).
Baseando-se que se tem um grande número da população brasileira em fase escolar, a escola pode ser vista como o principal meio de articulação para inclusão digital de pessoas que ainda estão excluídas desse espaço tecnológico. Ela pode trazer isso através de metodologias que provoque a interação do aluno com a sociedade da informação.

2-MÉTODOS

Para a realização do presente estudo foi realizada uma pesquisa bibliográfica utilizando artigos que abordavam sobre o tema “inclusão digital”, principalmente voltado para a inclusão dentro da escola.

3-FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo dados do IBGE, existem hoje 12,9 milhões de pessoas que ainda se encontra em nível de analfabetismo (R7, 2012). No entanto, qual seria o numero de analfabetos digitais.
Sabe-se que as tecnologias estão ai, e as mesmas cada vez mais estão invadindo diversos setores da sociedade, inclusive o meio educacional, pois a escola como promovedora de interação entre pessoas de diferentes níveis, obviamente não pode e nem poderia ficar alheia a tanta evolução.
A função da inclusão digital é fazer o resgate de indivíduos que estão fora do processo de informatização, para isso necessitam que todos compartilhem dos mesmos conhecimentos; e ela que é uma desbravadora do saber pode oportunizar aos alunos a vivência imprescindível dessa era tecnológica.

A imersão tecnológica da escola propicia o desenvolvimento de uma “cultura digital”, na qual os alunos têm suas possibilidades de aprendizagem ampliadas (...) ao mesmo tempo em que se potencializa a inclusão digital de toda a comunidade escolar.
 (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2008, p. 16).

Mas para que esse processo de inclusão na escola possa ser proveitoso não basta apenas ter computadores, o uso do computador deve ser visto apenas como ferramenta auxiliar do processo ensino-aprendizagem, Oliveira (1997, p. 29). É necessário que haja uma interação entre diversos fatores, envolvendo a organização do espaço, e principalmente, a capacitação dos professores, os quais necessitam se apropriar e se adaptar as novas tecnologias para que assim amplie a interação do aluno no ciberespaço. Como alega Paulo Freire:

 [...] Os elementos necessários para inclusão não devem contemplar apenas o acesso físico à infraestrutura e a conexão em rede e computadores, mas, especialmente, a capacitação das pessoas para utilizar esses meios de comunicação da informação e, principalmente, para criar a possibilidade de uma incorporação ativa no processo todo de produção, compartilhamento e criação cultural.

Notando que a inclusão digital não funciona de forma autônoma, ou seja, se ela não estiver aliada a bases solidas como projetos e metodologias eficientes com certeza sua perspectiva prevista não será contemplada com êxito.
Lembrando também que o aspecto socioeconômico de cada aluno deve ser levado em consideração para o sucesso da inclusão dento da escola, é necessário que ela atenda de forma igual os diferentes níveis, para que consequentemente ela não aumente ainda mais o nível de exclusão, visto então que o termo inclusão tem relação direta com a exclusão.
Eis então um dos grandes desafios da escola que se encaixa junto a sua função de mediadora, que é fazer com que as diferenças entre os que têm acesso tecnológico frequentemente e aqueles que nunca viram uma máquina não aumentem com a introdução das novas tecnológicos no meio educacional (TEDESCO, 2002).
               Com isso ele também nos remete que, por conseguinte é preciso que a escola mude seu papel diante dessa nova sociedade da informação, ela tem que se adaptar aos novos requerimentos propostos:





Em um mundo no qual a informação e os conhecimentos se acumulam e circulam através de meios tecnológicos cada vez mais sofisticados e poderosos, o papel da escola deve ser definido pela sua capacidade de preparar para uso consciente, critico, ativo dos aparatos que acumulam a informação e o conhecimento (TEDESCO, 2002, p27).

Deste modo, se a escola absorver todos os critérios necessários que contribua para a inclusão de todos, ela poderá sim funcionar como um lócus para inclusão dos excluídos digitais.
Um exemplo de que essa ideia da inclusão digital através da escola pode funcionar é a experiência realizada em Fortaleza, Ceará, o chamado Projeto Semear, o qual possibilita uma resocialização de jovens carentes reintegrando-os á família e á escola; junto a esse projeto está a Escola Ambiental Dra Francisca Frota, a qual possui um laboratório de informática que atende tanto alunos de 7ª e 8ª do ensino fundamental quanto alunos do Projeto Semear. Na escola os alunos utilizam softwares com diferentes objetivos e aos poucos eles passam a conhecer os mais avançados recursos da informática aprendendo assim a colocar o computador a serviço de seus interesses (KIDLINK, 2006).

4-CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para que a inclusão digital aconteça, deve haver um comprometimento por parte dos professores e a escola deve estar engajada em uma ação pedagógica que possibilite o uso dos recursos tecnológicos. Professores e alunos precisam aprender a aprender como acessar a informação, onde busca-la e o que fazer com ela.
Portanto, a partir do momento que a escola se utilize de metodologias e se ampare a projetos que atenda de uma forma igual os diferentes níveis socioeconômicos e capacite os professores que são os responsáveis de interagir os alunos ao meio tecnológico, ela pode sim funcionar como uma mediadora da inclusão digital, diminuindo assim uma ampla parte da porcentagem dos que ainda são considerados analfabetos na era tecnológica, visto que há um grande número da população brasileira em fase escolar.
Entre os vários profissionais envolvidos com a educação, o papel do licenciado em ciência da computação é importante tanto no auxilio na capacitação dos professores, como no desenvolvimento de ferramentas tecnológicas, que levarão os alunos, sujeitos do processo educativo, se tornarem cidadãos e assumirem o seu papel na sociedade da informação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CÂMARA DOS DEPUTADOS. Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica.
Um Computador por aluno: a experiência brasileira. Brasília: Câmara dos Deputados,
Série Avaliação de Políticas Públicas, Brasília/DF, n.1, 2008.
FREIRE, I. M. Acesso à informação e identidade cultural: entre o global e o local,Ciência da Informação, v. 35, n. 2, p. 58-67. (2006)

KIDLINK, Projeto Semear. Desenvolvido pela Kidkink no Brasil. Disponível em <http://galaxy.kidlink.org/brasil/f-semear.html> Acesso em 06 nov. 2012.

OLIVEIRA, Ramon de. Informática Educativa. Campinas, SP: Papirus, 1997.
R7. IBGE lança dados sobre o analfabetismo no país. Disponivel em <http://noticias.r7.com/videos/ibge-lanca-dados-sobre-analfabetismo-no-pais-13-milhoes-nao-sabem-ler/idmedia/5061aeeefc9bff8693188f07.html> acesso em 10 nov. 2012.

TEDESCO, Juan Carlos. Os fenômenos de segregação e exclusão social na sociedade
do conhecimento,Unesco, Cadernos de pesquisa, n°17, 2002.

XAVIER, karine. Revista Brasileira de Tecnologia Educacional – Ano MMV – Jul. / 05 – Dez. / 05 – Nº 170 / 171. Disponível em www.freewebs.com/eductecnologias/170-171-cap. 6.pdf




[1]Acadêmicos do 1º Ano do curso de Ciência da computação Núcleo Pedagógico Vila Rica - UNEMAT.
² Coordenador Pedagógico do curso de Educação Física Núcleo Pedagógico Vila Rica - UNEMAT.

Nenhum comentário:

Postar um comentário